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Minha Vida Sux
       
E qual será a marca do seu próximo celular?Help Darfur


Quarta-feira, Outubro 22, 2008
A revolução ainda é um ideal aceso em certas jovens mentes inquietas. Faz poucos dias veio ao Brasil uma das novas velhas vozes do Marxismo, um apêndice da velha escola de Frankfurt que, desde Adorno e Horckheimer, repete e recicla as idéias do jovem Marx sobre alienação e cultura de massas.

Slavoj Zizek, autor de diversos livros, falou no fórum de ciência e cultura da UFRJ para uma platéia composta na maioria de estudantes, cuja postura política eu não diria ser outra que não a de esquerda. Um dos livros de Zizek chama-se Repetir Lenin e qualquer um que leia seus livros, qualquer um, nota a força de seu argumento anti-Stalinista, da dicotomia entre o mundo em movimento de Lenin e o mundo estático, burocrata, estatal, comandado por cima, de Stalin.

Particularmente não conheço nenhum livro hoje que seja A favor de Stalin, ou Repetir Stalin. Dos escritores comunistas mais notórios, raros são os que não afluiram para a teoria cultural, para a psiquiatria das massas, e mesmo os que não fizeram por completo, como Robert Kurz ou István Mészáros, são críticos do estado burocrata, tendo o primeiro acusado o Stalinismo de seguir uma meta Fichteniana, nunca marxista.

Enterrem Stalin e tragam Lênin de volta, eles dizem. Lênin, a ousadia, o homem da revolução contínua, aquele que sente o vento que acompanha o tempo. Sepultem o burocrata, a mesmice, a técnica pura, o pontual. Tragam o contínuo, o flúido, o vivo, o novo. Cavem a cova de tudo aquilo que é pedra, que é hipócrita, que enoja. Como Sabina, que disse odiar o comunismo soviético não porque ele oprime, não porque ele mata, não porque é mau. Ela odiava o comunismo soviético, simplesmente, por ele fazer isso dizendo que é o melhor para todos.

Ressucitem Lênin, eles dizem, e aqui no Rio o movimento estudantil, a une e os sindicatos anunciam apoio ao candidato Paes. Em São Paulo a esquerda difama, como uma última cartada, porque a política é suja, e vencer aquele que está deste lado é sempre o melhor para o povo.

Quem ouve gabeira falar percebe que ali está o novo, ali está o risco, ali estão as idéias, ali a vida flui. Interdisciplinaridade, respeito, ousadia, transparência, arte. Do outro lado... o homem que se apresenta, feito um faraó, como aquele que entregou o novo Maracanã ao Rio de Janeiro. O prefeito-síndico. O tecnólogo. O experiente. Mas quem há de negar que a Russia, sob Stalin, derrotou a Alemanha Nazista? Quem há de negar que, em 25 anos, um país destruído pela guerra tornou-se um dos maiores produtores de matéria prima do mundo?

Bem-vindos os novos Stalinistas, devemos dizer. Deveriam ter ido atirar pedras em Zizek, não aplaudi-lo, como foram. Porque o que o Rio quer, o que o mundo quer, é óbvio, nada mais é que vença aquele que carrega no peito o símbolo da foice e do martelo. É óbvio. E ai daquele que entende de outra forma. Porque, mais uma vez, é óbvio.



Quarta-feira, Outubro 15, 2008
No Rio, essa eleição será um marco triste. Deveria ser de um lado Eduardo "Upa 24horas" Paes, a vitrola quebrada da "integração entre o municipio, o estado e o governo federal", e do outro, Gabeira, mas todos se encontram nessa cidade. Wladimir Palmeira, por exemplo, será para sempre lembrado (entre os poucos que ainda se lembram de quem ele é) como aquele que levantou a mão de Eduardo, e sorriu glorioso. Dos ainda revolucionários, parcos serão os que não sentirão nojo do PC do B e de Jandira que, derrotados, foram comer pastel com Eduardo. E do PT, da esquerda que até aqui foi e agora deixa ir sozinha, é triste ver Lula na televisão, falando meio que envergonhado, sem convicção alguma, sobre esse candidato que seu partido resolveu apoiar pensando no futuro, porque uns outros, como Molon, optaram por ficar calados. Paes, aquele que faz pouco xingava Lula, ex-subprefeito de César Maia, político nato, preocupado com a imagem, com as frases feitas, apelando para o povo, para os carentes, para quem precisa do alento que os decentes sabem da inexistência.

Não achei que Gabeira fosse ganhar, mas agora creio que vá, porque o mundo está mudando e os homens com ele, e Gabeira pode ter jeito de tudo, menos de político. Quando falou hoje na entrevista que deu ao globo sobre o exército Bolchevique, assim, en passant, que raiva deve ter dado em Jandira, no PT e no PSB, pois logo ele, o outro lado, o homem apoiado pelo PSDB, falando dos comunas, e falando com tanta elegância, com suavidade... enquanto o Eduardo fala das Upas, e até o fim do mês falará de novo da importância da integração entre o município, o estado e o governo federal...

Gabeira é direto. Perguntam, ele responde. A entrevistadora se espanta, que político responde uma pergunta com apenas uma palavra? Exatamente, ele disse, e calou-se. Silêncio. Precisava dizer mais? Gesticular, balbuciar, aproveitar o tempinho para falar mais uma vez da integração entre o município... porque, ao fim, essa eleição terá mais perdedores que vencedores. Perde a esquerda, toda ela, ao unir-se ao mal-caratismo, ao enfatizar Maquiavel, porque a única promessa de Gabeira na campanha é o que a esquerda, os "comunistas", os revolucionários do movimento estudantil, a Une, tudo aquilo que nenhum deles pode oferecer até hoje: Transparência e caráter.

E quem ganha? Ganha Serra, vitorioso em São Paulo, derrotado não sairá do Rio. Ganha o PV que veio mostrar que, neste novo século, não há lados pre-definidos, não há siglas, não há mais significado em meras letrinhas... há escolhas, e cada um de nós tem feito a sua pessoal. Ganha também o povo do Rio, que pela primeira vez em anos, em décadas, terá a oportunidade de refletir e votar, não entre seis e meia dúzia, mas entre homens que de tudo, nada têm em comum. É impossível hoje dizer quem vai vencer e, como todo futuro, é impossível dizer a direção que nossa escolhas irão nos levar, porém é possível, é claro, é óbvio, perceber quais são elas.


Quarta-feira, Junho 25, 2008
Quando Spengler escreveu A Decadência do Ocidente, seu argumento foi o de que, historicamente, outras sociedades haviam passado pelo mesmo processo de ascensão, declínio e queda que a Europa passava. E o mesmo deve valer para o homem, é claro. A história cíclica não é cíclica para o mesmo personagem, da mesma forma que não há como ser cíclica para nós. Foi a coincidência a qual Vinícius me disse: - E Cortazar também parou seu livro no capítulo 56. - Porque sim, o problema é que nem tenho paciência mais para justificar-me, ou escrever qualquer tipo de livro acerca do que poderiamos ter sido.


Sábado, Maio 10, 2008
Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável.

Geraldo Vandré


Balbuciamos que nos empenháramos por um novo céu e uma nova terra, mas eles se limitaram a nos agradecer gentilamente e fizeram a sua paz.

T. E. Lawrence, Os 7 Pilares de Sabedoria

Por que os homens lutam obstinadamente por sua servidão, como se ela os fosse salvar?

W. Reich

Por que? Por quem? O que você se permite deixar para trás, na estrada? E o que mantêm, o que leva nesse container quente chamado alma? Ritos de iniciação, aldéias de tais pequenos seres que dançam por dentro, alecrins polipartidários e velhos bufões, caminhantes. Não basta ir. É preciso, como disse Levy - percorre-lo com a mesma disposição espiritual e física que ele, sempre mantendo-se ao lado direito do motorista - ser mais que a estrada o seu diapasão natural, porque no ponto de interseção entre a beleza, a verdade e o amor (e escrevi isso originalmente hoje, para ela, em uma carta) é esta fonte mágica que Galeno e outros buscaram incansavelmente no ponto do cérebro que a alma se enfia, este ponto/momento (infinito!!!) onde a estrada/horizonte é (infinito!!) miríades de osásis que então areia (infinito!) e o bojo de vida ao redor, ao redor do ponto, o corpo todo frágil e mundano, o corpo pálido e magro e inquieto, este termina, neste me entrego, e todo o resto infinito, corro e vou e desafio e morro.


A perestroika ocidental, quem terá peito para começar?

Ei, você, por que está aí legitimando um mundo que na verdade quer desconstruir?

Quantas memórias irá abarrotar no baú até dar-se conta que ele é infinito?

A dor é inevitável. Nenhuma escolha é.

O que eu compreendi foi que os seres se entendem pela paixão. Pela paixão que compartilham acerca daquele pequeno pedaço de mundo a qual amam. E eu, que tenho a paixão de um Sartre, a melancolia de um Kierkegaard e o fascínio de um Heidegger, eu, que cruzei pela área de exatas, biomédicas e humanas e que não me encontrei em ninguém a salvo em um velho professor que ainda se recordava da luta do grande Ajax, faço-me ciente do porque os outros são os outros e a distância é maior que qualquer marco de estrada ou ampuleta. Foi por isso que até hoje amei de fato uma só mulher e tive tão poucos amigos, porque fitamos o horizonte em diferentos intuitos: um olha as ondas, o outro todo o mar, o outro, olha Deus. E é por isso que creio que não sei amar mais que um solitário ou que um ateu ama a divindade. É por isso que se me encontram, me encontram só caminhando pelos cantos. Admiro-os, admiro-os verdadeiramente, são maravilhas, pequenos traços da existência, infinitos aspectos de uma natureza a qual contemplo boquiaberto. Mas os amigos e os amores, sendo a paixão que nos liga... agora eu entendo das coisas.


Sábado, Abril 19, 2008
...


Terça-feira, Janeiro 01, 2008
Assim comecei o livro sobre Dimitris, o Sofista e Fernanda, mas duvido que assim prossiga.

Escrever-te é um lenitivo, minha cara. Um bálsamo acre como as velhas plantas pisadas e amorfas, as únicas plantas e flores que nosso vocabulário englobava enquanto moleques a desdenhar do mundo. Conheço-a tão pouco, tão pouco, e tão literal é seu papel nesse ato que a nós calha ser vida, mero porto seguro onde despejam lixo cujo sinônimo, e por favor não ria, é algo que visa a prensa e torcido dentro de uma garrafa, náufragos a busca de outros náufragos em outras ilhas, tudo tão vomitado e errante. Mas Poemas! Monge ao mar, capitões de corveta frente a Onda que avistávamos desde a praia, frente ao canto que ouvíamos deste a casa, frente ao ato que não é mais presente do que um deja vu. É só isso que somos. Poemas como esfinges, replica-me ou te devoro, e que abençoada ética seria o aviso da escassez de criatividade ou excesso tautológico, que maravilhosa descoberta do Inaudito fervorosamente cantada a cada geração de infantes obstinados pela negação, a bradar Que não abram esta carta! E prosseguiriam sobre a sapiência do silêncio, sobre a ingenuidade do poeta, sobre a destreza do iletrado? Nenhum, posso afirmar. O prólogo ou é dispensável ou objeto de imolação.

Faz pouco adentramos na primavera e como sempre não percebi visível mudança. De quando em quando devo fuçar o lado de fora para perceber que o tempo transcorre e só quando encontro fechado um mercado ou um jornaleiro é que dou-me conta que é domingo ou feriado. Segunda, sexta, outono, não plantei árvores neste apartamento que dá para os fundos e não é obrigação de um inquilino ter de varrer as folhas para um canto da calçada. Meu maior calendário, quão inusitado, estampa-se no selo das poucas cartas que ainda recebo, e por elas as novas do front me alcançam. Vivo o que não vai além de uma sucessão de nadas intercalados com vazios prolongados, e só picos de amnésia ou nostalgia, afluentes deste rio mnemónico, somente neles dou-me conta de minha existência. Se finalmente escrevo-te um retrato mais pessoal do que vivo, se abro mão de nosso trato original, então devo estar exausto e desejoso de um retorno à normalidade.

Mas acredito que desconhece a primavera desta cidade. É minha estação preferida, talvez a única herança verbal que carrego de meu pai. E acredita que não passa de um acaso? Ele gostava da primavera de Praga, como soava, como o lábio se espremia para pronuciar Praga, na Tchecoeslovaquia que ele desconhecia, de um Dubcek que ele desconhecia, de tudo o que ele só havia ouvido dizer e soar, feito badaladas do sino de um crente. É o que ele era. Um crente. Mas não quero falar de meu pai. Prefiro falar da primavera, dessa época do ano em que Perséfone sobe à terra e a terra gesticula da única forma que pode. Embeleza-se. Ontem deixei meu casulo para caminhar pela lagoa desta antiga capital do Império, esse país sem presente e que enterrou o passado em covas nativas. Consegue perceber a principal diferença entre nós e os Americanos do Norte? Eles sentem que a terra lhes fora prometida e que os índios não passavam de caseiros a espera dos verdadeiros donos. Quanto a nós, nada sentimos, nem a casualidade que nos trouxe até esse lugar, e se nossa terra fosse um pequeno canto do outro lado do globo, acordaríamos e iríamos trabalhar da mesma forma, cabisbaixos.

Caminhei até o forte e repeti o mesmo ato costumeiro, sentar-me para observar a água quebrar na encosta e imaginar que do outro lado está a África, o chifre, os túrcos e os árabes, que este pontal erodido nas rochas é cria do tempo, cada fragmento como o átimo gelido de um pulsar, essa bailarina celeste incanssável. Não sei quanto tempo perco nesse vislumbre de seres imaginários que certamente me interessam apenas em lote, genericamente, um ritual de contemplação de quadraturas escandalosamente falseadas, pinturas alegóricas e, devo confessar-me, a execrável negação ao paganismo.

Pareço ignóbil por vacilar e não refletir julgamento coeso sobre essa semiótica da poeira, da poesia, da beleza, que exageramos, como se a dita alma poética, o êxtase, a epifania, fosse mais que uma ilhota, osasis, e todo o resto deserto aronoso. A terra seca e o sol ardente e um vento cortante sem sangue, lanças de poeira, um cisco, afinal, não é o nirvana o oposto de um ponto? Um lago impecavelmente uniforme que não há peixes ou pés ou talvez pequenas ondulações de pedras arremessada por anciões da ribanceira. Devo parecer ignóbil por gabar-me ou desprezar a ciência dessa verdade dita prática? Julgue-nos. Faço também imagem da tribuna e o asco das testemunhas que vociferam ao ver-me entrar no patíbulo. Estrangeiro. Nem isso é ato, nem isso é verdadeiro. Nem isso.

Por que você, criança? É certo que mantenho relações promíscuas com tantas outras, e que tais dispõem-se por ordem de nome, data ou preferência do meu capricho. Só não se preocupe, não escrever-te-ia um testamento por uma foda. Não imagina o quanto incomoda-me estarem os homens berrando a troca de seus reinos por uma marca histórica e não uma buceta! Perdão. É como vejo as coisas. Fico a acompanhar o trajeto dos passantes pelo caminho de uma a outra casa e, ainda que pudesse narrar a epopéia desse meu gendankenexperiment, quantos são os dias e cada dia, quantas são as linhas do meu imaginário caderno de notas. Nem Joyce teria sido tão prolixo! Já sobre o sexo posso contar-lhe tudo o que quiser. O sexo é dos atos factuais e morais o mais bruto e ridículo. É de nossa natureza, em especial os que se dizem poetas, transcende-lo, retirar-lhe o cunho factual e adentrar na ontologia do amor. Não os culpo. Mas na minha vida pude traçar uma linha divisória entre o ato e o signo, desprezando o segundo.

Por que você, então? Contingência! Tens a possibilidade de com isso, maculada, rasgar-me e dar ao lixo o que é lixo. Não sou uma ofensa à natureza, ao contrário, celebro o que ela é sendo-o também! Alah Akbar! Ontem dancei pela areia feito um Zorba tupiniquim, o mar de testemunha, como um bêbado ridículo ao fim de festa que não tem grana para adentrar na festa, a festa da vida, no meu caso, ou a festa da algazarra inocente dos seres. Rodopiei até alquebrar-me e tomar verdadeira ciência do ridículo que era tudo, não a existência, nada alheio ao que eu ali fazia, não, exatamente o ritual, e o mar, mesmo ao mar eu era crente e nuancês me mordam, sou o último dos Ateus!

Então, a história? Por que sinto que devo conta-la? Por eles, é claro! Não nasci Judeu, Cristão ou Muçulmano. Não guardo ovelhas ou fosse como se as guardasse. Me foge Jerusalem, Meca ou Santiago. Minha terra é de Beduinos, errantes de carne em quais braços nos consumamos. Minha terra é de gente, do Sofista ou de Fernanda. Por eles, é claro. Ainda que Pursewarden tenha razão sobre o escritor, não caberiam aqui palavras que não fosse um testamento a...


Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
E peguei minhas agendas a partir de 99 as 3 da manhã e comecei a folhea-las... 3, de fato. A segunda e a terceira englobam 3 anos cada, de 2000 a 2003 e de 2003 a 2006. Achei que seria difícil perceber alguma diferença, mas não, é fácil, é berrante. Em algum ponto entre elas há uma mudança, eu deixo de lado a filosofia e rumo para a história, "a sociedade moderna é o meu tema" (5/2004), eu deixo o sonho de lado, "meus planos são muitos" (6/2001), lendo Kant e preparando uma apostila de mecânica quântica, para descrever-me sem perceber em um personagem de Camus, "A angustia do personagem é uma angustia existencial. Ele sofre porque descobre as verdades, em especial de seu próprio cinismo, e deve conta-la aos homens, porém percebe a idiotice do mundo dos próprios homens. É tudo ridículo para ele, nada é sério, ele fez de sua vida uma piada" (2/2004). Incrível! "Como é agradável estudar com esse vento fresco, escutando o barulho das cigarras, sentir o cheiro da grama molhada..." (01/2001). Isso não é só envelhecer, é degradar-se. E no inicio de tudo, está sempre Morin:

A solidão é a única morte do homem.

De fato.




Sempre dependeremos de algo, ou de alguém. Na melhor das hipóteses dependeremos de nós próprios, de nossa loucura, ou de nossa convicção acerca da loucura alheia.


Sábado, Dezembro 01, 2007
92 linhas. Se eu morar sozinho, minha única certeza é que o livro sai.


Sexta-feira, Novembro 30, 2007
E esse post... não precisa ser lido.


Terça-feira, Novembro 20, 2007
- Tio, aluga um filme pra mim?
- Não, não alugo mais filme com o Orlando Bloom.
- Mas tio, não é com o Orlando Bloom...
- Sim, mas não, deve ser com outro ator que você só quer ver o filme por causa dele...
- Tio, é com a Lynday Lohan!
- Pior! Filme de menininha, não alugo mesmo!
- QUER QUE EU VEJA FILME PORNÔ???
- Aos 12 anos eu já via filme de tribunal!
- MAS A LYNDSAY JÁ FOI AO TRIBUNAL! VÁRIAS VEZES!

Indeed...


E esse sentimento que eu julgara mais morto que Deus após Nietzsche, novamente, dá as caras. E através dele é fácil ser honesto. Sim, sim, quando eu tenho plena confiança em uma certeza, não consigo deixar de ser honesto. A sombra está na dúvida, mas a dúvida, essa que instalou-se em nossas almas ao longo de toda a vida e todo o século, essa dúvida que nos faz ser modernos e pos-modernos, essa dúvida que nos semeia a sensibilidade para o unwelt, essa bela dúvida acerca de todas as estradas, nem é o fim em si e nem pode ver-se acabada, apenas... transpassada? No fim, é tudo sobre o amor.


Segunda-feira, Novembro 19, 2007
Há pessoas para quem o mundo não foi feito. Nenhum mundo. Um milhão de vezes poderia ter Deus tentado e viria falho, com vínculos dissidentes. E esses seres eternamente ao limbo a qual cada tempo acunha de uma forma, esses transloucados refeitos poetas, suicidas ou assassinos, em gaiolas de pombo ou grades de ferro, não viram à luz do dia um contrato que lhes coubesse, e mesmo se vissem, rasgariam. Insignas brutas que não em brasa, marca d'alma é pelo olhar incidente, e não há número de identificação ou supercomputador que pela íris, dedo ou saliva, mal há maquina de carne e sangue que pelo tato, ouvido ou rastro... os revele. Que há de ser deles? Postergados! Que há de ser deles, errantes, quentes, frios, com a fome de um animal carnívoro e que do mato respeitam só o velho que para lá se foi há muito muito tempo e nunca mais voltou.


Sexta-feira, Novembro 16, 2007
Não temos um mestre. Na literatura, quem? Amado é do sertão, de putas e pistoleiros, realista no que não somos, pobres, não, nulidades. Machado é um homem do séulo XIX, não leva herança aos filhos que não teve, foi varrido para baixo do tapete dos vestibulandos. E Guimarães, que poderia sê-lo, é grande, Goethe tupiniquim, serra a alma humana e nos exibe partes, mas a alma transcende o momento e, nesse beginning of the century, não nos descobre. Então sejamos internacionalistas. O vazio de um Beckett, a solidão de um Pessoa, o existencialismo de um Camus, sim, sim, Sim!, ja klar, é tão claro que tornou-se lugar comum à falha de nossas expectativas. Nietzsche, Marx, Freud! En-ter-ra-dos. Sartre com um sabre de luz contra Derrida, a genealogia revivida por Foucault, cadê? Pelos recantos gays de Paris, o subterrâneo só sussura a quem foi surdo: Literatura de estrada. Kerouac em casa, fumando maconha no último andar da beira-mar. Sobrou... Chuck! Palahniuk, Irvine Welsh, Will Self, Pedro Juan Gutierrez, Clarah Averbuck, que diz que odeia quem escreve certinho, e é claro que nunca leu um elogio de Júlio Cortázar a Érico Veríssimo, besteira, escolha seu trabalho, seu carro, sua roupa, escolha tudo menos sua vida, e sim, salvo uns mortos e feridos, é pós-pós-pós-humanismo, literatura de buteco, sexo, drogas e rock'n roll, agora Littell, sen-sa-ção, e diz o ditado que para quem morre afogado Jacaré é tronco. Ah, Veríssimo, claro! Velho. Bernardo Carvalho... nunca li. Medo que tudo tenha acabado quando o próprio Cortázar parou de escrever. Nem ele leio. Medo. Não temos um mestre. Fragmentologia, multiculturalismo e Libertê! Intelectual. Jabor? Mainardi? Piada séria essa, mi amigo. Então Gilberto... Gil! Aha! Eles tiveram Mauraux! Ah, mas hoje têm Luc Ferry. Justo o suficiente. Chavez é Fidel sem Che e com o PCdoB. Comunismo... puff. Estruturalismo... ursinho puff. Corram, estão relançando Burroughs, Thomas Wolfe, Hermann Hesse, André Gide, mas... tenho aqui uma entrevista recente com Geraldo Vandré, ó:

Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável.

Do homem que calou Tom e Chico, porque Tom, Chico, Caetano e Gil você conhece. Mas o que é Vandré? Diz aí, Fiona:
- É um molusco encontrado nas águas mais geladas do Atlântico Norte.


Segunda-feira, Novembro 05, 2007
... e disse-me Vinícius, "Tenho certeza que você conquistaria a mulher que quisesse". Mas claro! "Se é uma questão de retórica, em tese qualquer um poderia, certo?" "Não é uma questão de retórica, mas da sua retórica ser verdadeira." Uma boa resposta, admito. Então não é o que você diz, mas se é verdadeiro ou não ao dize-lo. E é isso que conta?

Comentando seu texto, você diz que "...veja bem, meus amigos, eu tinha tudo para ser igual a vocês, mas não vale a pena", e é sempre isso, meu amigo, quando me vem o poema de Pessoa, quando "O mundo é daqueles que nasceram para conquista-lo, não daqueles que achavam poder faze-lo, ainda que tivessem razão." Tínhamos tudo para ser igual a eles? Poderiamos? Por mais tosco e medíocre que seja o Outro, não será em exato o Outro, ainda que nivelado por baixo, no que conhecemos, no que podemos mentalmente reproduzir, aquilo mesmo que nunca nos permitiariamos ser, ainda que quisessemos? Quando Faulkner disse que o escritor escreve sobre tudo aquilo que não tem coragem de viver, não devíamos trocar o coragem pela possibilidade? E não é, ao fim, nosso grande motivo da escrita, o de apresentar o profundo desprezo por tudo aquilo que nos seria, de qualquer forma, negado? Nossa gloriosa vingança? Afinal, se temos ciência, por que escrever? Por que?

A escrita não é a retórica falsa? Não é querer abraçar o mundo, a todas, a qualquer uma, ser promiscuo na vida, nas idéias, trocar aquele toque de rosto com rosto da necessidade mútua, aquele permanecer enlaçado na idéia fisiológica que é invadir ao outro, pela vingança de ontologicamente penetrar o Outro?